Quem nunca quis abrir um zíper e sair de si?

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Durante um dia qualquer existem inúmeras opções de caminhos a seguir. Estamos livres para escolher o que nos parecer melhor. Porém, as chances de ir pelo lado errado e nos perder são grandes. Quando isso acontece, o que dá vontade de fazer é de se abandonar, ou simplesmente dar um tempo de si, só voltar quando tudo estiver resolvido.

Existem momentos em que tudo se acumula, uma briga de cinco anos atrás volta à tona, o corte de cabelo que antes parecia bom, de repente é o pior que poderia ser, e mesmo os motivos diários que costumam nos alegrar já se fazem tão poucos.

De repente parece que já não tem mais saída, que a rua que decidiu seguir ficou escura demais e não tem como encontrar o caminho de volta. O que carregamos no peito fica tão pesado que já não dá mais para levar como bagagem. O único desejo é ir embora, abandonar a si próprio e não se reencontrar porque o corpo que tem já não aguenta mais tudo o que carrega.

Ir para longe, onde o céu não anuncia tempestade. Trocar de pele, de corpo. Abrir um zíper e sair de si, deixando tudo o que pesa para trás. Você já não quer mais ser você e não vê outra saída senão desistir e começar de novo.

Como seria ter uma outra vida? Outra paisagem? Outros problemas que não os seus, já que você sente que lidaria com qualquer outra coisa que não fosse o que enfrenta na sua vida?

Mas, se parar para pensar, quem garante que aquele problema alheio que você acha tão simples de lidar não se tornaria uma carga pesada se você o tomasse para si? O que é visto de fora sempre vai parecer mais simples, mas quando somos nós que temos que dar uma solução, retornamos à rua sem saída. Seria muito melhor desistir de nós, abrir nossas costuras e procurar novos moldes. Mas não sabemos o quanto podemos carregar do mundo, podemos então, carregar o que temos dentro de nós, pois já sabemos o quanto pesa e se conseguimos trazer até aqui, conseguimos continuar.

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One thought on “Quem nunca quis abrir um zíper e sair de si?

  1. Walter Cruz

    Bacana a reflexão. Eu, paradoxalmente, sofro de um problema contrário: compreendo e disseco muito bem a situação dos meus semelhantes, mas as minhas próprias questões são de lenta resolução na minha cabeça.

    Mas não abriria mão desse meu caminho que me trouxe até aqui: gosto muito da pessoa que ele me tornou.

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